Lima é como um poema cuidadosamente escrito: versos que pulsam do passado ancestral, ritmos criados por mãos modernas e estrofes de sabores que ecoam muito além do paladar.
Caminhar pelas ruas desta cidade capital do Peru é lembrarmo-nos que a cidade respira história, arte e gastronomia num único suspiro.
Entre o azul do Pacífico e a arquitetura colonial — classificada pela UNESCO — de Lima estende-se com uma graciosidade sublime, como se cada edifício, praça e parque narrasse capítulos de uma cultura que remonta a milénios, e pela qual já passaram múltiplas civilizações. E assim é de facto, pois o Peru é feito de Incas originais, Espanóis colonizadores ou imigrantes Orientais. No bairro de Barranco, cenário de Chabuca Granda, as rimas da música criola misturam -se com o aroma envolvente dos cafés boémios e as cores irreverentes das galerias de arte.
Mas é na cozinha que Lima se revela na sua forma mais vibrante: Lima é orgulhosamente a capital gastronómica da América Latina. Da fusão de influências indígenas, espanholas, africanas, chinesas, japonesas e outras culturas que por aqui passaram e marcaram, nasce uma gastronomia plural rica em história e inovação, com influências e confluências de civilizações diferentes, em épocas e geografias que se fundem numa síntese única e requintada num prato diante dos nossos sentidos. No coração da cidade, a alta gastronomia pulsa nas mãos dos chefs que exploram os ecossistemas peruanos com olhar científico e poético, mas não esquecem a universalidade contida num paladar de um humano.
Lima é como um quadro cuidadosamente pintado por sabores, mas também é uma fotografia magistralmente composta por Mario Testino — onde o esplendor da alta gastronomia peruana encontra a elegância visual dos retratos dos trajes tradicionais ou da moda internacional com as celebridades mundiais.
Caminhar por Lima é como folhear um poema sensorial, onde o ceviche fresco, o lomo saltado vibrante e os anticuchos fumegantes compõem versos que exaltam a alma criolla, mas estão orquestrados por uma elegante cultura da estética que nos assalta e nos inspira.
Lima convida: não se trata apenas de visitar, mas de se deixar envolver. Reserve tempo para seguir a sua música, desde as muralhas de Barranco e as ruas antigas, até os acordes dos bares com o Pisco Sour gelado e avassalador. Aqui está a alma líquida do Peru, que acompanha a cultura musical, estética e literária.
E aproveite e leve consigo um livro desse génio peruano, Mário Vargas Llosa. O seu apego a Lima era complexo, carregado de amor e frustração, mas sempre cúmplice de sua formação e sensibilidade. Mário Vargas Llosa dizia “Carrego o Peru dentro de mim… o que acontece lá move-me, exaspera-me e comove-me”.